domingo, maio 13, 2007

(eletricidade no ar)

Como se tudo tivesse mais vida e mais poder do que normalmente aparenta. Sentir, ouvir, respirar e, com um pouco de concentração, enxergar. Por entre as sombras e rastros deixados pelo vento, que mudam constantemente com o tempo que não pára de passar, o coração que sempre bate; uma perfeita combinação de sutis acontecimentos que, em dias como hoje, parece misturar-se e fundir-se, gerando até uma sensação de que algo nesse processo é proposital e tem algum fundamento mais além do óbvio e mais sensato que pensar que são meros acontecimentos ocorrendo em um canto do mundo.
Não é tristeza, felicidade ou vazio. É quando você escuta uma parte desse mesmo mundo te chamando para conversar. Parte do "poder" parece entrar no corpo e preencher lacunas, secar lágrimas futuras, anestesiar feridas já esquecidas e relembradas.
Dias como este provam para quem quiser realmente saber, que há muito mais de onde não vemos nada. Hoje eu vi. Vi além de pessoas e de mim mesma. E pensar que há tanta energia só neste pedaço de chão que meus olhos alcançam ver, faz com que eu respire fundo e carregue comigo uma parcela de tudo isso, talvez "para sempre", ou talvez já tenha ido embora. Porém, a sensação está guardada na lembrança. Entristeço ao saber que já é passado, mas então eu lembro que demorará o tempo do próximo suspiro para voltar.
Um dia em inércia que preenche os dias cheios.

Quando escuta à tudo que não fala e mantém-se surdo para as palavras.
Tudo aparenta ter tão mais vida que nós. É quando percebo o quanto somos fracos sozinhos e como nos alimentamos do mundo sem perceber. Não temos voz para gritar mais alto que esse silêncio de dias como o de hoje. E dias como o de hoje são todos.